Deixa-a ainda este ano
Oportunidades surgem e se vão. Alguém já disse que a oportunidade é como uma mula que passa correndo e que tem de pular rapidamente para não perder a montaria. Diz um provérbio chinês que há três coisas que não voltam: palavra dita, a flecha lançada e a oportunidade perdida.
O texto acima é uma parábola que Jesus contou. Ele criou essa estória para ensinar seus discípulos a respeito da oportunidade que Deus concede ao homem estéril no Seu Reino. Começa assim: Certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha e, vindo procurar fruto nela, não achou. O proprietário disse já há três anos procuro frutos e não encontro corta-a, pois ela está ocupando a terra inutilmente.
O empregado respondeu ao patrão dizendo: deixa-a ainda este ano, até que eu escave ao redor dela e ponha esterco, estrume – adubo. Se vier a dar frutos, bem está; se não, mandarás cortá-la.
Uma figueira na vinha. Ela foi plantada por alguém. Ela não nasceu sozinha, por acaso. Era costume ter figueiras na vinha. Ela se destacava sobre a parreira porque chegava a 6 metros de altura. Os figos são frutos nobres e muito estimados, pois além de serem gostosos eram usados na época para as curas em alguns casos. Também a figueira dava uma sombra muito boa para as pessoas se refugiarem do sol escaldante.
A oportunidade que esse empregado estava disposto a dar à figueira era especial. Precisava de esforço e trabalho extra ao que já fazia na vinha. Vejamos alguns aspectos da oportunidade que a figueira teria para que ela viesse a dar frutos.
Ser escavada ao seu redor. “até que eu escave ao redor dela”. O viticultor estava disposto a trabalhar com a finalidade de abrir ao redor da figueira uma cova circular para afofar a terra. Com certeza o solo era muito duro e não deixava penetrar nem os nutrientes necessários para as raízes, nem mesmo a água que tanto se precisa. Até hoje os sitiantes, os fazendeiros e agricultores usam essa mesma técnica para que a planta, seja ela qual for, possa dar frutos.
O homem é a figueira de Deus. Muitas pessoas estão com o coração endurecido. É um terreno insólito, impenetrável, estorricado pelos cuidados deste mundo. Vivem de tal maneira que o tempo não é suficiente para acudir a todas as demandas da vida atual. Estão sempre prontos a resolver as coisas urgentes e deixam de lado àquelas que são importantes. Alimenta o coração com os cuidados deste mundo, tais como: trabalho, estudo, entretenimento, e outros, deixando de lado um relacionamento rico com Deus. Daí o coração ficar uma terra necessitada de ser escavada pelo enxadão ou arado divino.
Esse escavar divino às vezes pode ferir as raízes, trazendo algum tipo de dor, mas que será para o bem maior. Quando Deus mexe na vida do homem, principalmente nas suas raízes, ou seja, no mais interior do ser, nas profundezas da alma, até no inconsciente então esse escavar será a preparação ideal para ser lançado o adubo com vistas aos frutos.
Adubada. “E lhe ponha estrume”. O esterco daquela época era com certeza o dos currais das ovelhas. Uma sociedade pastoril e agrícola em que a economia familiar em todos os sítios e fazendas havia tanto o cultivo agrícola como também a atividade de criar ovelhas. Daí ter o adubo orgânico que era o estrume do qual o viticultor se referiu. Esse era coletado nos currais de ovelhas. Esse viticultor da parábola se encarregaria de fazer tanto o afofamento na terra dura ao redor da figueira como também de adubar, estercar e estrumar.
O adubo pode ser entendido metaforicamente para a aplicação na vida espiritual da seguinte maneira:
Em primeiro lugar, como o relacionamento na igreja. Freqüentar a igreja, não apenas por mero hábito, mas com motivação de ser frutífero no Reino. Não é acostumar a estar presente na igreja, mas sim, ter uma convivência mais profunda, mais comprometida e mais participativa na vida dos irmãos. A Palavra recomenda para falar com salmos, hinos e cânticos espirituais. Buscar um aconchego maior com os irmãos que pensam e professam a mesma fé. Incentivar e ser incentivado nas coisas do Reino. Procurar desenvolver o dom espiritual. A igreja é o lugar onde oferece um dos melhores adubos para a frutificação.
Certo pastor sentiu a falta de um membro da igreja, pois já fazia tempo que ele ausentou das reuniões, então resolveu fazer-lhe uma visita. Perto do fogão de lenha onde havia um grande braseiro começaram a conversar pastor e o irmão. Ao mesmo tempo o pastor tirou uma brasa do meio do braseiro sem que o irmão visse e colocou-a de lado, alguns minutos depois o pastor mostrou para aquele irmão o que aconteceu com a brasa que estava tão quente, tão vermelha e com energia tão grande, agora era apenas um carvão – frio, sem energia, inútil. Assim é o cristão que abandona a freqüência à igreja.
Em segundo lugar, a Palavra de Deus. Essa é outro tipo de adubo que faz dar frutos. O salmo primeiro diz que os justos têm prazer na Lei do Senhor e na sua Lei medita de dia e de noite. Esse é plantado junto às correntes de águas que no devido tempo dá o seu fruto, cuja folhagem não murcha e tudo quanto faz será bem sucedido.
A Palavra de Deus precisa ser memorizada, lida e ouvida. Depois desse processo ela começa descer até as raízes. Deus deu a Josué uma ordem: “Não cesses de falar deste livro da Lei, antes, medita nele de dia e de noite, para que tenhas cuidado de fazer segundo tudo quanto nele está escrito, então farás prosperar o teu caminho e serás bem sucedido.” Js.1:8
Muitos cristãos não têm dado fruto porque não tem o adubo da Palavra nas suas raízes. Para que a Palavra desça até as raízes ela precisa entrar na terra do coração que sendo cavada pelo viticultor divino, e uma vez recebidos os nutrientes necessários virão os frutos.
Em terceiro lugar, a permanência em Cristo. Jesus disse aos seus discípulos o seguinte: “eu vos escolhi a vós outros, e vos designei para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça”. Esses versículos mostram que a vida de oração deve estar sempre alicerçada em Jesus. Assim como a seiva é dada ao ramo, a fim de produzir fruto, assim também o discípulo recebe o ensino de Jesus para produzir fruto na sua vida.
Se permanecer Nele e as Suas palavras permanecerem no discípulo pedirá o que quiser e será feito. Por isso Ele recomendou que orasse percebendo que Jesus chamou seus discípulos com um propósito específico, que fossem frutíferos. Todas as suas orações deveriam ser subservientes a esse objetivo claro, foram chamados para compartilhar com outras pessoas a alegria do relacionamento com Ele. Permanecer em Cristo, esse é outro tipo de adubo do coração para ser frutífero.
Somos figueiras de Deus. Muitos estão sem frutos ou com poucos frutos. Já se passaram não apenas três anos, mas quem sabe, 20, 30, 40 ou mais anos e os frutos não são tão abundantes como deveriam ser. Se formos honestos, daríamos razão a Deus em tomar a decisão de nos cortar pois a nós outros pertence o corar de vergonha, pois temos pecado contra Deus.
Todavia, hoje é o tempo da oportunidade! Começa um novo ano, um kairós de Deus, o ano de 2012 é um período de tempo, que mesmo sendo cronológico, pode ser um tempo de oportunidade para cada um de nós, pode ser o tempo da visitação do Senhor à nossa vida, onde Deus está dizendo “deixa-a ainda este ano”.
Rev. Washington Paulo Emrich – sermão pregado dia 31/12/2011



