IPSW – Igreja Presbiteriana do Sudoeste

Fale Conosco

jan 07 2012

Vivemos no Melhor dos Tempos

O canadense Harvard Steven Pinker deu uma entrevista nas páginas amarelas da revista VEJA para Gabriela Carelli. Ele é psicólogo e professor na universidade americana de Harvard. A tese de Pinker no seu livro “os anjos bons dentro de nós – porque a violência declinou” é demonstrada por meio de estatísticas que a humanidade está passando pelo seu mais pacífico período histórico. As eras anteriores eram bem mais brutais em comparação com as situações de violência atual. 

Ao ser indagado sobre os ataques de 11 de setembro de 2001 e o massacre de quase uma centena de inocentes na Noruega em julho passado Pinker disse que mesmo com essa situação as estatísticas são importantes para justificar o argumento da sua tese. Explica que nenhum cientista sério poderia afirmar que vivemos o período mais pacífico da humanidade só com base em impressões que ele próprio ou os outros têm sobre determinados eventos. A mente humana é vulnerável a enganos e ilusões. Nossas impressões sobre quão violento e cruel é um determinado episódio devem-se à nossa memória, que sempre é contaminada pelas emoções que sentimos quando presenciamos algo. Hoje em dia, grande parte da elite intelectual, principalmente na sociologia, psicologia e antropologia, menospreza a estatística e o raciocínio lógico contribuindo para proliferação de uma pseudociência e suas análises mal fundamentadas, comentou Pink.

 

Gabriela Carelli colocou bem a situação de muitas pessoas que perderam seus queridos   de forma violenta em que as estatísticas não valem muita coisa. Pink respondeu que desde o lançamento do livro, ele foi surpreendido por reações inesperadas. Algumas pessoas duvidaram do seu trabalho, outras puseram em xeque a idoneidade dele. Muitos acadêmicos se revoltaram. Ele esclareceu que a violência não acabou e as guerras também não.  Todavia, isso não invalida a constatação de que o mundo já foi muito pior do que é agora. Grandes pensadores teorizam sobre como teria sido a vida dos homens no estado natural antes do advento das leis e das formas mais rudimentares de governo. Com ajuda da alta tecnologia podemos agora não apenas teorizar sobre o grau de barbárie da pré-história, mas estimar com precisão o número altíssimo de pessoas que morriam massacradas por inimigos. Nada autoriza a idéia tão disseminada de que o passado humano foi bucólico, pastoril e pacífico. Há poucos séculos matavam-se pessoas com base em superstições avalizadas pela hierarquia religiosa, a escravidão era oficial e em discordar da opinião vigente podia equivaler a uma sentença de morte.

Pink também disse que a reação violenta foi um traço incorporado à humanidade durante o processo evolutivo. Ser violento foi determinante para a sobrevivência da espécie na defesa contra as feras, na caça e, claro, na disputa por uma mulher no acasalamento. Até os dois anos as crianças são extremamente violentas. Só não matam umas às outras porque não damos a elas revólveres ou facas e porque estamos presentes para ensiná-las a se comportar. Elas se valem da violência para disputar espaço com os irmãos e a atenção dos pais. Isso coincide com o desenvolvimento do lóbulo frontal, a região do cérebro responsável pela linguagem, pelo domínio motor, mas principalmente pela personalidade, a consciência de si mesmo e da existência do outro. O prazer com a violência é uma realidade. As pessoas são coibidas de praticá-la nos moldes da pré-história ou da Idade Média, mas dão vazão a ela em games, assistindo a filmes de Mel Gibson ou a lutas de vale-tudo. 

Acrescenta que o mundo se tornou mais pacífico, pois o lado bom do homem, no decorrer da história, sobressaiu ao violento e animalesco. Ele entende que Rousseau não estava certo quando disse que o ser humano nasce bom e é, posteriormente, corrompido pela sociedade, sendo esse produto do meio, mas que Hobbes tenha alguma razão.

Quanto a idéia de que o bem e o mal são definidos culturalmente, Pink diz que em geral, as pessoas entendem que o mal está em produzir sofrimento nos outros por meio de atos premeditados e sem uma razão muito forte. O mais interessante, no entanto, é que a maioria dos indivíduos que cometem atos perversos não acha que agiu com maldade. O cérebro humano evoluiu de forma a sempre advogar a favor de si próprio. Somos os mais devotos defensores de nós mesmos. A primeira reação aos sermos confrontados com o fato de termos feito algo ruim é tentar nos convencer e aos outros de que aquilo não foi tão grave. A segunda é transferir a responsabilidade.

Falando sobre o impacto dos avanços tecnológicos e da internet na violência Pink disse que a suposição de que o maior acesso a armas mais potentes aumenta a violência é equivocada. Muita gente tem a impressão de que a tecnologia contribui para que um só indivíduo mate dezenas de pessoas. Esses episódios distorcem a percepção da realidade. Depois de Hiroshima e Nagasaki, nunca mais um país ousou acionar seu arsenal nuclear.

Finalmente ele disse ser pessimista e otimista ao mesmo tempo. Acreditando que a violência vai aumentar no futuro próximo, pois a história mostra que as mudanças culturais e sociais, crises econômicas, novas ideologias e tecnologias podem incitar guerras, conflitos, rebeliões e enfurecer determinados grupos sociais. Contudo ele se diz  otimista em relação ao fortalecimento dos períodos de paz depois de surtos de violência extrema. Os períodos de paz tendem a ser cada vez mais longos e duradouros.

 

Nosso comentário:

A tese de Pink pode ter alguma coisa de verdade, mas não toda a verdade. A Bíblia diz que o pecado trouxe conseqüências graves sobre a vida na terra. A ordem divina foi dita da seguinte maneira: “no dia em que pecar, certamente morrerás” Não só a morte física, mas também a morte espiritual – a comunhão com Deus e com o próximo foi cortada. Daí em diante o homem viveria em beligeração com seus semelhantes.

O livro de Genesis narra em seguida à Queda o homicídio praticado por Caim. Esse foi o primeiro ato de violência contra o semelhante. A violência foi carimbada como aquela que deu forma ao pecado do homem. Caim matou o seu irmão por pura inveja. Não foi por causa de comida, não foi por causa de disputa de espaço, nada disso, simplesmente foi um ato de traição premeditada. “Disse Caim a Abel, seu irmão: Vamos ao campo. Estando eles no campo sucedeu que se levantou Caim contra Abel, seu irmão” Gênesis 4:8.

Quando Pink diz que vivemos no melhor dos tempos, isso não é bem assim. O homem sempre viveu e sempre viverá no pior dos tempos. Mesmo que estatisticamente no passado havia maior barbárie, em número de assassinatos, guerras e mortes, hoje nos nossos dias há cada vez mais insegurança não só para os que vivem nos lugares de fome e pobreza, como em alguns países africanos, mas também nas grandes metrópoles, como New  York , São Paulo, Tóquio, Londres e outras.

Medir a violência comparando os tempos passados com os tempos presentes pelo método apenas estatístico chegando à conclusão de que o homem melhorou não é a meu ver um caminho seguro. No passado não havia leis que regulavam a vida em sociedade; não existiam polícias nas ruas dia e noite, não havia a tecnologia que hoje se tem. Para se fazer um estudo científico e isento é preciso ter as mesmas condições e a mesma situação.

Não vivemos no melhor dos tempos. O homem sempre será o mesmo. A sua natureza é a mesma que herdou de Adão. Paulo disse: “miserável homem que sou quem me livrará do corpo desta morte? o bem que desejo fazer, esse não faço, o mal que não quero fazer, esse eu faço”. A Bíblia diz que o homem nasce morto em seus delitos e pecados. Em todo o tempo, na história da humanidade, o homem é o mesmo. Sempre terá a violência como meio de derramar sua ira, cólera, vingança, imposição e domínio.

Porém, o homem pode viver na esperança de melhores tempos. A mesma Palavra que diz ser o homem pecador e por isso está inclinado para o mal e não para o bem, também traz esperança para este homem no sentido dele poder viver uma vida plena de segurança, amor e amizade tanto com o Criador como com seu semelhante. Essa esperança está baseada na obra vicária de Cristo na cruz do Calvário, abrindo um novo e vivo Caminho, ou seja, derrubando o muro de separação que havia entre Deus e o homem.

Essa nova sociedade está sendo formada por humanos que lavaram suas vestiduras no Sangue do Cordeiro, receberão um novo nome, reinarão para sempre com o Senhor, num lugar onde não haverá morte, nem dor, nem lágrimas. Ali não precisará do Sol de dia, nem da Lua de noite, pois a glória de Deus a iluminará, e o Cordeiro será sua lâmpada.

Rev. Washington Paulo Emrich 

 

Tagged , , , , ,

Related Posts

  • Alvaro Zagonel

    Fui pastor presbiteriano e digo com grande convicção que o Pr. Washington, assim como todos os pastores, padres, rabinos… Estão errados em suas crenças. A bíblia é uma invenção muito mal feita e de muito mal gosto. A religião é a responsável pelos grandes atos de violência no mundo.

    Ass. Um ex-pastor presbiteriano – hoje agnóstico

    • Jovaniop

      Alvaro…
      Sua opinião também é uma questão de fé, que você não perdeu, apenas mudou de lado.

Tags
Newsletter IPSW

Receba todos os posts da IPSW em seu e-mail assim que forem publicados!

Escreva seu e-mail abaixo: